QUEM FOI LÉON DENIS : (Que historia admirável, leia até o fim.)
Léon Denis nasceu num lugarejo chamado Foug, situado nos arredores de Toul, em França, em 01/01/1846. Foi filho único de Joseph Denis, um pobre pedreiro, depois carteiro e ferroviário e de Anne-Lucie Liouville, uma camponesa.
Cedo conheceu, por necessidade, os trabalhos manuais e os pesados encargos da família.
Desde os seus primeiros passos neste mundo, sentiu que os amigos invisíveis o auxiliavam.
Ao invés de participar de brincadeiras próprias da juventude, procurava instruir-se o mais possível. Lia obras sérias, conseguindo, assim com esforço próprio desenvolver sua inteligência. Era um autodidata sério e competente.
Jamais desperdiçou um minuto sequer de seu tempo, com distrações frívolas, às quais a maior parte dos homens recorre para matar as horas.
Com 12 anos concluiu o curso primário, e a situação modesta de sua família não lhe permitiu grandes estudos. Mas lia muito e, graças ao seu talento e às leituras, tornou-se um homem culto e erudito. Foi telegrafista ferroviário e contador comercial. Em Tours, trabalhou como operário braçal numa cerâmica e frequentou uma escola noturna para aprimorar os seus conhecimentos gerais.
Desde cedo teve problemas com sua saúde física - com os seus olhos principalmente.
Tinha 16 anos quando se salientou como um dos melhores oradores e dos mais ardentes propagandistas.
Trabalhava numa firma que comercializava couros, onde se ocupava com a correspondência e a contabilidade, passando depois a vendedor - viajante.
Como viajante comercial, profissão que viria a manter até se aposentar, pôde visitar e proferir conferências espíritas em várias localidades da França, e, mais tarde na Bélgica, Suíça, Algéria e Tunísia (na África), Ilha de Córsega, Itália, etc.
Filho amoroso, de todos os lugares onde ia, escrevia sempre cartas ou postais à sua mãe, com quem morava. Nunca se casou, por ter saúde fraca e temer desamparar a família.
Denis adorava a música e sempre que podia assistia a uma ópera ou concerto. Gostava de dedilhar, ao piano, cantorias conhecidas, de tirar acordes para seu próprio devaneio.
Não fumava, era quase exclusivamente vegetariano e não fazia uso de bebidas fermentadas. Encontrava na água a bebida ideal.
Era seu hábito olhar, com interesse, para os livros expostos nas livrarias.
Um dia, ainda com 18 anos, o chamado acaso fez com que a sua atenção fosse despertada para uma obra de título inusitado. Esse livro era o Livro dos Espíritos de Allan Kardec. Dispondo do dinheiro necessário, comprou-o e, recolhendo-se imediatamente ao lar, entregou-se com avidez à leitura.
Mais tarde teria afirmado: Nele encontrei a solução clara, completa, lógica, acerca do problema universal. A minha convicção tornou-se firme. A teoria espírita dissipou a minha indiferença e as minhas dúvidas.
Começou a lê-lo escondido da mãe (que era católica). Quando esta, porém descobre o livro, também o lê e ambos tornam-se espíritas.
O seu espírito, sentiu-se então sacudido em face dos compromissos assumidos no Espaço, para iniciar, em breve, o trabalho de propagação das verdades kardequianas.
"Como tantos outros" - disse ele - "procurava provas, fatos precisos, de modo a apoiar a minha fé, mas esses fatos demoraram muito a vir. A princípio insignificantes, contraditórios, mesclados de fraudes e mistificações, que não me satisfizeram, a ponto de, por vezes, pensar em não mais prosseguir em minhas investigações, mas, sustentado, como estava, por uma teoria sólida e de princípios elevados, não desanimei. Parece que o Invisível deseja experimentar-nos, medir nosso grau de perseverança, exigir certa maturidade de espírito antes de nos entregar os seus segredos."
Encontrava-se nos seus trabalhos de experimentações, quando um importante acontecimento se verificou na sua vida. Conheceu Allan Kardec por ocasião da visita do Codificador à cidade de Tours, onde fora pronunciar uma conferência sobre Espiritismo. Nessa ocasião foi negado permissão para a reunião em um salão que tinha sido alugado para a conferência. Cerca de 300 pessoas tiveram, então, que ouvir o conferencista, em pé, no jardim da casa particular de um espírita!
Com 21 anos revê mais duas vezes Allan Kardec; uma vez em Paris e outra em Bonneval.
Tornou-se secretário do Grupo Espírita de Tours.
Em 1869, com 23 anos, tornou-se Orador da Loja Maçônica dos Demófilos (nome de origem grega, significando Amigos do Povo).
Em 1870 estala a Guerra Franco-Prussiana, durante a qual Léon Denis serviu como Sargento na 1° Leigião da Guarda, depois como Sub-Tenente, Tenente e Major-Ajudante.
Em 1880, pelas cidades e vilas que percorria, por força de seus afazeres, pronunciava conferências e fundava círculos e bibliotecas populares. É incalculável o número de conferências por ele proferidas em França, com o propósito de propagar a Liga de Ensino, fundada por Jean Macé.
Certa vez seus amigos quiseram fazê-lo Deputado. Recusou-se.
Sua missão era trabalhar pelo Espiritismo. Léon Denis era médium Escrevente, Vidente e de Intuição. Recordava-se de três de suas encarnações anteriores, na Gália. Sua protetora espiritual foi o espírito que se identificou como Sorela, mais tarde revelando ser Joana D'Arc. Um de seus Guias foi Jerônimo de Praga (Monge Pré-Reformador, 1416, queimado vivo pela igreja de Constança, Alemanha); é também o Espírito Azul (era visto como uma névoa azulada).
O ano de 1882 marca, na realidade, o início de seu apostolado, no qual teve que enfrentar sucessivos obstáculos: o materialismo e o positivismo, que olham para o Espiritismo com ironia e risadas; os crentes das demais correntes religiosas, que não hesitam em se aliar com os ateus, para ridicularizá-lo e enfraquecê-lo. Léon Denis, porém, como bom paladino, enfrenta a tempestade. Os companheiros invisíveis colocam-se ao seu lado para encorajá-lo e exortá-lo à luta.
"Coragem, amigo" - diz-lhe o Espírito de Jeanne - "estaremos sempre contigo para te sustentar e inspirar. Jamais estarás só. Meios ser-te-ão dados, em tempo, para bem cumprires a tua obra."
Em 2 de Novembro de 1882, dia de Finados, um evento de capital importância ocorreu na sua vida: a manifestação, pela primeira vez, daquele Espírito que, durante meio século, havia de ser seu guia, seu melhor amigo, seu pai espiritual - Jerônimo de Praga -, e que lhe disse: "Vai, meu filho, pela estrada aberta diante de ti, caminharei atrás de ti para te sustentar."
E como Léon Denis indagasse se seu estado de saúde o permitiria estar à altura da tarefa, recebeu esta outra afirmativa: "Coragem, a recompensa será mais bela."
A partir de 1884, achou conveniente fazer palestras visando à maior difusão das ideias espíritas. Escreveu, em 1885, o trabalho O Porquê da Vida em que explica com nitidez e simplicidade o que é o Espiritismo.
Em 1892, recebeu um convite da Duquesa de Pomar, para falar de Espiritismo em sua residência, numa dessas manhãs célebres, em que se reunia quase toda a cidade de Paris. Ele ficou indeciso, temeroso. Depois de muito meditar, pesando nas responsabilidades, aceitou o convite.
O êxito do seu livro Depois da Morte situara-o como escritor de primeira ordem. Os grandes jornais e revistas ecléticas citavam-no e as tiragens sucessivas desse livro esgotavam-se rapidamente.
Eis a notícia publicada por Le Journal , de Paris, acerca da reunião na casa da duquesa: "A reunião de ontem, foi uma das mais elegantes, ouvindo-se a conferência de Léon Denis sobre a Doutrina Espírita. De uma eloquência muito literária, o orador soube encantar o numeroso auditório, falando-lhe do destino da alma, que pode, diz ele, reencarnar até sua perfeita depuração. Ele possui a alma de um Bossuet, soube criar um entusiasmo espiritualista."
A principal obra literária de Denis foi a concernente ao Espiritismo, mas escreveu, outrossim, segundo o testemunho de Henri Sausse, várias outras, como: Tunísia, Progresso, Ilha de Sardenha, etc.
A partir de 1910, a visão de Léon Denis foi, dia-a-dia, enfraquecendo-se. A operação a que se submeteu, dois anos antes, não lhe proporcionara nenhuma melhoria. Suportava, com calma e resignação, a marcha implacável desse mal que o castigava desde a juventude. Tudo aceitava com estoicismo e resignação. Jamais o viram queixar-se. Todavia, bem podemos avaliar quão grande lhe devia ser o sofrimento.
Mantinha volumosa correspondência. Jamais se aborrecia, amava a juventude, a alegria da alma. Era inimigo da tristeza.
O mal físico, para ele, devia ser bem menor do que a angústia que experimentava pelo fato de não mais poder manejar a pena. Secretarias ocasionais a substituíam nesse ofício, no entanto, a grande dificuldade para Denis consistia em rever e corrigir as novas edições de seus livros e de seus escritos. Graças, porém, ao seu espírito de ordem, à sua incomparável memória, superava todos esses contratempos sem molestar ou importunar os amigos.
Depois da morte da sua mãe, uma empregada cuidava da sua pequena habitação. Ele só exigia uma coisa: o absoluto respeito às suas numerosas notas manuscritas, as quais ele arrumava com meticulosa precaução. E foi justamente por causa dessa sua velha mania que a Duquesa de Pomar o denominara de o homem dos pequenos papéis.
Em 1911, após despender não pequeno esforço no preparo da nova edição de O Problema do Ser, do Destino e da Dor, caiu gravemente enfermo. O tratamento enérgico de seu médico, para a pneumonia, pô-lo de pé em curto lapso de tempo.
Grande e profunda dor estava para ele reservada. Veio a guerra de 1914 e seu espírito se condoía ao ver partir para a frente, a maioria de seus amigos.
Léon padecia, então, de uma doença intestinal e estava parcialmente cego.
Pela incorporação, os seus amigos do Espaço e, entre eles, um Espírito eminente, comunicavam-lhe, de tempos em tempos, as suas opiniões sobre essa terrível guerra, considerada, em seus dois aspectos, visível e oculto.
Essas práticas levaram-no a escrever certo número de artigos, por ele publicados na Revue Spirite , na Revue Suisse des Sciences Psychiquesó e no Echo Fid todo o seu grande amor pela terra em que nasceu, dentro da lei de causa e efeito.
Quando a guerra se aproximava do seu fim, a Revue Spirite passou a publicar, em todos os seus números, artigos de Léon Denis.
Após a guerra de 1914, aprendeu braille, o que o permitiu ficar atualizado e fixar sobre o papel, os elementos de capítulos ou artigos que lhe vinham ao espírito, pois, já nesta época de sua vida, estava, por assim dizer, quase cego.
Em 1915 iniciava ele nova série de artigos repassados de poesia profunda e serena, sobre a voz das coisas, preconizando o retorno à natureza.
Nesta época uma forte vento soprava contra e kardequianismo. O fenomenismo meta psíquico espalhava, aos quatro ventos, a doutrina do filosófico puro. O Sr. P. Heuzé fazia muito barulho através de L´Opinion, com suas entrevistas e comentários tendenciosos. Afirmava, prematuramente, que, à medida que a meta psíquica fosse avançando, o Espiritismo, iria perdendo terreno. A sua profecia, no entanto, ainda não se realizou.
Após a vigorosa resposta do Sr. Jean Meyer, pela Revue Spirite, Léon Denis, por sua vez, entrou na discussão, na qualidade de presidente de honra da União Espírita Francesa, em carta endereçada ao Matin, na qual estabelecia, com admirável nitidez, a diferença existente entre o Espiritismo e o Meta psiquismo.
A partir desse momento, Léon Denis teve que exercer grande atividade jornalística para responder às críticas e ataques de altos membros da Igreja Católica, saindo-se, como era de esperar-se, de maneira brilhante.
Em Março de 1927, com 81 anos de idade, terminara o manuscrito que intitulou: O Génio Céltico e o Mundo Invisíve, e neste mesmo mês a Revue Spirite publicava o seu derradeiro artigo.
Na Terça-feira, 12 de Março de 1927, pelas 13 horas, Denis respirava com grande dificuldade, pois a pneumonia atacava-o outra vez. A vida parecia abandoná-lo, mas o seu estado de lucidez era perfeito. As suas últimas palavras, pronunciadas com extraordinária calma, mas com muita dificuldade, foram dirigidas à empregada Georgette: "É preciso terminar, resumir e... concluir." (fazia alusão ao prefácio da nova edição biográfica de Kardec). Neste exacto momento, faltaram-lhe completamente as forças para que pudesse articular outras palavras. As 21 horas seu espírito alou-se. Seu semblante parecia ainda em êxtase.
As cerimônias fúnebres realizaram-se a 16 de Abril. A seu pedido, o enterro foi modesto, sem ofício de qualquer igreja confessional. Está sepultado no cemitério de La Salle, em Tours.
Léon Denis foi considerado o continuador e consolidador da obra de Allan Kardec. É tido como o Apóstolo do Espiritismo e reconhecido como Filósofo, Orador, Historiador, Escritor primoroso, autor de 15 obras de inestimável valor doutrinário.
Foi Presidente de Honra da União Espírita Francesa, Membro honorário da Federação Espírita Internacional e Presidente do Congresso Espírita Internacional realizado em Paris - 1925.
Viveu 81 anos, 3 meses e 11 dias, legando, pelo seu trabalho, as suas conferências, as suas obras, notável exemplo de dedicação e doação ao Espiritismo.
PRINCIPAIS OBRAS DE AUTORIA DE LÉON DENIS:
• Cristianismo e Espiritismo (FEB);
• Depois da Morte (FEB);
• Espíritos e Médiuns (CELD);
• Joana D'Arc, Médium (FEB);
• No Invisível (FEB);
• O Além e a Sobrevivência do Ser (FEB);
• O Espiritismo e o Clero Católico (CELD);
• O Espiritismo na Arte (Lachâtre);
• O Gênio Céltico e o Mundo Invisível (CELD);
• O Grande Enigma (FEB);
• O Mundo Invisível e a Guerra (CELD);
• O Porquê da Vida (FEB);
• O Problema do Ser, do Destino e da Dor (FEB);
• O Progresso (CELD);
Provas Experimentais da Sobrevivência;
Socialismo e Espiritismo (O Clarim).
Fontes:
- Texto elaborado por José Basílio
Baseado no livro Páginas de Léon Denis
Autor: Sylvio Brito Soares - Ed. FEB - 2º Edição - 1984.
- Revista Internacional de Espiritismo - Setembro 2001.
EXISTE UM CAMINHO O DA “LUZ DIVINA” QUE NOS LEVARÁ ATÉ AO “CRIADOR”. DEPENDENDO DE NOSSAS AÇÕES, SE BOAS, RÁPIDO CHEGAREMOS. SE FORAM VIVIDAS SEM: AMOR; HUMILDADE; GRATIDÃO; AMIZADE; PRINCIPALMENTE SEM FÉ, AI DANOU-SE!. O CAMINHO VAI SER LONGO E OBSCURO. AQUI, VOCÊ VAI ENCONTRAR LINDAS MENSAGENS DE NOSSOS IRMÃOS, DO LADO DE LÁ. E DOS MISTÉRIOS ALÉM DAS NUVENS. COMPARTILHE COM MENSAGENS, PENSAMENTOS ETC. O BLOG É SEU, É NOSSO. PORQUE ELE É: “EM CRISTO E PARA CRISTO”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário